Prezado leitor, se você já se emocionou profundamente com uma canção, sentiu a energia de uma batida mudar seu humor ou usou uma música para se acalmar após um dia estressante, você já experimentou, na prática, o que a Neurociência da Música estuda: o poder transformador do som.

Mas e se eu lhe dissesse que essa influência vai muito além do prazer estético? E se a música fosse, na verdade, uma ferramenta poderosa para reprogramar seu cérebro, curar traumas e promover um equilíbrio emocional que você busca há anos?

É exatamente esse o campo de atuação de Drika Gomes, Psicanalista, Hipnoterapeuta e Mestra em Neurociência, com uma especialidade rara e intrigante: a Neurociência da Música. Seu trabalho nos oferece uma visão profunda e acessível de como a frequência e a vibração sonora impactam diretamente nosso bem-estar, nossa memória e até nosso comportamento.

1. O Som Não é Apenas Ouvido, é Sentido

Para Drika Gomes, o som é muito mais do que a percepção auditiva: é energia, frequência e vibração. E é aí que mora a chave da transformação.

Em seu trabalho, ela ressalta que o som é uma das principais formas pelas quais captamos informações do ambiente, ao lado da visão. Quando um som se organiza em música – com cadência, ritmo, harmonia e melodia – nosso cérebro, com seu sofisticado "arsenal" biológico, interpreta essa estrutura e atribui a ela uma relevância emocional.

Para o cérebro maduro (e o leitor 50+): Essa relevância emocional é o que nos faz reviver um momento da juventude ao ouvir uma determinada canção.

Neurociência da Música: Como o Som Cura e Transforma o Cérebro

A música não apenas evoca a memória (área ligada ao hipocampo), mas também ativa o sistema límbico (o centro das emoções), criando uma conexão sinestésica e afetiva inigualável. O que é acompanhado de prazer (e o cérebro adora música) é gravado de forma mais profunda. É a neurociência validando a nossa história de vida através da trilha sonora.

2. A Fascinante Relação entre Ritmo, Emoção e Comportamento

O trabalho de Drika Gomes vai a fundo nos componentes da música e como eles afetam áreas específicas do cérebro:

  • O Poder do Ritmo e da Sincronia: O ritmo ajuda o cérebro a se organizar. Batidas marcadas influenciam nossa frequência cardíaca e respiratória, azendo com que nosso corpo (e, muitas vezes, nossos músculos) entre em sintonia com a música. É por isso que uma caminhada ou exercício físico se torna mais fácil, mais potente e mais prazeroso com uma trilha sonora adequada. É a base da musicoterapia para a reabilitação neuromotora.
  • Melodia e Memória Afetiva: A melodia está profundamente ligada à nossa memória de longo prazo. Ela não é processada de forma sequencial, mas exige um complexo esquema cognitivo do cérebro. Por ser um poderoso gatilho de emoção, a melodia é o que nos conecta a eventos e pessoas do passado, mas também é o que pode ser usado para fixar novos aprendizados e pensamentos positivos no presente.
  • Harmonia e Sensação de Paz: A harmonia, muitas vezes descrita como a "terceira dimensão" da música, trabalha na complexidade. O nosso cérebro não gosta de conflito. Uma harmonia apropriada, que não gera estranhamento ou dissonância, promove uma sensação de ordem, serenidade e prazer, fundamental para acalmar um sistema nervoso sobrecarregado.
Neurociência da Música: Como o Som Cura e Transforma o Cérebro

3. A Frequência como Ferramenta Terapêutica

A verdadeira revolução no trabalho de Drika Gomes é a aplicação da frequência sonora na área terapêutica, unindo a Psicanálise e a Hipnoterapia.

Se a música é vibração, e se nosso corpo é energia (consciência é energia, segundo a autora), a qualidade da música que ouvimos tem o poder de impactar a vibração de nossas próprias células.

Em sessões de hipnose, onde o objetivo é alcançar um estado de profunda concentração e relaxamento para trabalhar traumas, depressão ou crenças limitantes, Drika Gomes introduz frequências musicais específicas. A ideia é que essas frequências entrem em ressonância com a situação que está sendo tratada, potencializando o acesso e a cura de bloqueios emocionais. Isso transforma o tratamento de uma experiência passiva para uma experiência sensorial e vibracional completa. A vibração do som atua como uma "onda de limpeza", acalmando as regiões de alerta e medo do cérebro (como a amígdala), enquanto ativa os centros de recompensa e bem-estar (como o núcleo accumbens).

Neurociência da Música: Como o Som Cura e Transforma o Cérebro

4. O Convite à Consciência Sonora

O trabalho de Drika Gomes nos deixa uma lição valiosa e prática, especialmente para quem busca qualidade de vida e longevidade mental: seja consciente com o som que você permite entrar em sua vida.

Não se trata apenas de "ouvir" música, mas de escutar a sua própria reação a ela. Pergunte-se:

  • A música que estou ouvindo agora me energiza ou me estressa?
  • O ritmo me coloca em um estado de pressa e ansiedade ou me acalma?
  • Essa melodia evoca lembranças agradáveis ou traumas antigos?
Ao fazer essa escolha consciente, você transforma a música de simples entretenimento em uma poderosa ferramenta de autocuidado e autorregulação emocional, capaz de nos ajudar a manter o equilíbrio interno em um mundo cada vez mais ruidoso e caótico.

A neurociência comprova: o som molda seu cérebro. Escolha sons que o moldem para a paz, a alegria e a saúde.

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